Herói da nossa gente

Do fundo do mato-virgem ele saiu

E a primeira infância passou calado e arredio.

É assim que o Mário ao mundo a história abre

E nem me pergunte qual, pois no fundo você sabe.

 

Meu santo, que criança feia!

Nesse ritmo não passa nunca de aldeia!

 

Realmente, o destino lhe impunha considerável barreira,

Porém maior é a conquista frente à notória adversidade:

É assim que a cidade cede o seu manto aos bandeiras

Para lançar-se terra adentro em busca da prosperidade.

 

Olha lá, São Paulo parece ser seu nome.

Mas só na base da extração não pode ir tão longe…

 

Uma revolução interna ainda era precisa para crescer,

Uma expressão verdadeira de seu próprio símbolo de autoafirmação.

É assim que o vermelho, branco e negro fazem um povo nascer

Selando muito antes sua flâmula com a ousadia para conduzir como vocação.

 

Dá uma conferida agora, o paulista pensa que está arrasando.

Vai ter que voar muito mais alto para continuar planando…

 

Mas a sua corpulência já estava seguramente moldada

E prometia se irradiar por terrenos ainda mais profundos:

É assim que o café a alimenta para se tornar locomotiva desgarrada

E os imigrantes lhe completam a tendência de acolhedora morada do mundo.

 

Dá uma conferida agora, é uma verdadeira máquina urbana!

A capital da tecnologia antropofágica profana!

 

Mas São Paulo soube utilizar o seu poder fabril,

Trazendo ganhos nunca antes vistos na cidade e no Brasil.

É assim que, mesmo trabalhando firme, não abandonamos o simples gesto

De pegar o trem das onze para ir ao samba na saudosa maloca do Arnesto.

 

Olha lá, São Paulo virou um fervente caldeirão!

Com toda a sua força é bom não estar perto durante a erupção…

 

A audácia e o arrojo da semana de 22 seu ideal libertário plantou

E do Obelisco à Praça da Sé o seu sentimento vanguardista se aflorou.

É assim que São Paulo como a terra das oportunidades realmente se firmou,

Fazendo-se o mais puro termômetro nacional que já se fabricou.

 

Meu mano, São Paulo tá ficando legal!

Um centro polivalente de alcance universal!

 

Única em toda a sua multiplicidade

Plural em toda a sua singularidade.

É assim que São Paulo segue mostrando a sua imperfeita perfeição

Nunca deixando de guardar a Paulista nas veias e a Mooca no coração.

 

Foi mal, eu poderia falar ainda muito mais,

Mas tenho que correr para pegar metrô e busão.

Pô, eu sou filho único e já tá tarde demais.

Tenho que dar uma olhada em casa então tem mais não.

Autor

Leandro Dupré Cardoso é o criador da página Olhar para Dentro.

Administrador paulistano nascido em 1993, é produtor de artigos para o blog Obvious e foi indicado para a fase final do Prêmio Strix 2016 e 2017 pelas publicações em coletâneas de contos da Editora Andross. Tornou-se jurado do Prêmio Strix em 2018 e 2019.

É autor dos livros de ficção “O rico, a velha e o vagabundo”, “A era i-Racional”, “Samádia – A lenda da ilha perdida”, bem como da série “O Pinheiro”, entre outros publicados pelas Editoras Andross, Clube de Autores e Kindle Direct Publishing (Amazon).

Email: leandroduprecardoso@gmail.com

Facebook: Leandro Dupré Cardoso

Instagram: @leandro_dupre

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