Sabe aquela sensação de “branco na prova”? Que você possui as habilidades para fazer uma nova atividade, mas parece que a coisa simplesmente não flui? Isso pode ser um indicativo da síndrome do impostor.
Ocasionada por diversos fatores como perfeccionismo, pressão do ambiente, baixa autoestima e tendência de autossabotagem, a síndrome do impostor é aquela impressão de insegurança e falta de autoconfiança quanto às próprias capacidades. A consciência pode ficar tão nebulosa que todas as conquistas e competências anteriores podem parecer fruto de mera sorte ou de esforços alheios, tornando o medo de falhar assustador. E assim se entra no chamado “Ciclo do impostor”, caracterizado pelas seguintes fases:
1 – Nova tarefa: É o novo desafio que causa uma crise de ansiedade e dúvidas internas.
2 – Preocupação / Procrastinação: o desequilíbrio interno pode levar a dois extremos. Na Preocupação a pessoa emprega um esforço excessivo para garantir que cada detalhe saia perfeito. E na Procrastinação emprega-se um esforço reduzido devido à desmotivação e aceitação de que realmente não conseguirá fazer aquilo bem feito.
3 – Alívio: Quando enfim a tarefa é concluída, a sensação de missão cumprida é extasiante. Mas é uma alegria passageira.
4 – Percepção de feedback: O problema aqui é que o feedback dos outros, por mais positivo que seja, é visto pela pessoa muito mais pelos pontos que não deram certo do que o contrário, culpando-se por não ter solucionado o problema de forma mais fácil ou por não ter saído tudo perfeito.
5 – Percepção de Fraude: a sequência de conclusões enviesadas acaba por confirmar as dúvidas de início, aumentando a angústia e a ansiedade diante de novas tarefas.

Todos estamos sujeitos a passar por momentos assim. Analisando dados, uma das pesquisas pioneiras no assunto publicada no Jornal da Ciência Comportamental em 2011 mostrou que 70% das pessoas já apresentaram sintomas da síndrome do impostor ao longo da vida. Já o mapeamento de saúde mental feito pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel em 2024 concluiu que 68% dos brasileiros se queixam de sentimentos recentes de nervosismo, ansiedade e tensão, fatores potenciais para a questão.
Por isso vão algumas dicas que podem ajudar a superar esse viés cognitivo e retomar o ânimo:
– Separar fatos de emoções: busque mais resultados concretos e evidências de seus resultados. A realidade pode estar mostrando um cenário completamente diferente do que sua mente criou.
– Compartilhar sentimentos: buscar sua rede de apoio é essencial para poder se expressar e conhecer a experiência de outras pessoas que passaram por isso.
– Monitorar pensamentos: atentar para não ruminar pensamentos negativos, buscar enxergar o melhor lado da situação
– Valorizar conquistas: olhar para o passado e se orgulhar de tudo o que passou para chegar até onde está agora.
Pois é quando se tira o foco no medo da escassez que o foco no sucesso da abundância pode fluir.
Autor

Leandro Dupré Cardoso é o criador da página Olhar para Dentro.
Administrador paulistano nascido em 1993, é produtor de artigos para o blog Obvious e foi indicado para a fase final do Prêmio Strix 2016 e 2017 pelas publicações em coletâneas de contos da Editora Andross. Tornou-se jurado do Prêmio Strix em 2018, 2019 e 2022.
É autor dos livros de ficção “O rico, a velha e o vagabundo”, “A era i-Racional”, “Samádia – A lenda da ilha perdida”, bem como da série “O Pinheiro”, entre outros publicados pelas Editoras Andross, Clube de Autores e Kindle Direct Publishing (Amazon).
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