A saúde mental tem sido um dos principais pilares das áreas médicas nos últimos tempos. A maior preocupação com o assunto levou tanto profissionais a verem um aumento de atendimentos quanto pacientes a receberem mais diagnósticos ainda que tardios.
Contudo, isso também trouxe ao grande público alguns nomes de transtornos e síndromes menos disseminados, não conhecendo bem o seu significado e muito menos as maneiras ideais de compreender e se relacionar com pessoas que possuem esses diagnósticos.
Pensando em auxiliar nessa integração, a escritora Renata Ribeiro falou um pouco sobre seu último livro lançado em 2023: “O TEA de Chapeuzinho Vermelho e outros contos sobre transtornos neurológicos e psicológicos”.
Conte um pouco sobre você!
Nasci em Espírito Santo do Pinhal, onde residi até os meus 3 anos. Dos 3 aos 12 anos morei em São Paulo e em Sumaré, quando retornei à minha cidade natal e vivo até hoje. Sou formada em Pedagogia e exerci a profissão de professora por 18 anos. Hoje estou como Assessora Pedagógica no Departamento de Educação de minha cidade. Também fiz Psicopedagogia e Neuropsicologia Aplicada a Neurologia Infantil, atuando como psicopedagoga, concomitantemente.
Gosto de viajar, ler e escrever. Aliás, descobri o gosto pela leitura ao ler Dom Casmurro, de Machado de Assis, ainda no Ensino Fundamental II. Estou me arriscando em pintar quadros, mas apenas de vez em quando, não consigo me dedicar e estudar.
Comecei a escrever poemas em 2012, mas não tinha coragem de mostrar a ninguém. Quando a coragem finalmente veio, mostrei a alguns amigos que me incentivaram a continuar e um deles, Ricardo Biazoto, me indicou a Andross Editora em 2014, ano em que tive a minha primeira publicação e sigo até hoje com publicações em diversas antologias.
Minha paixão pela escrita só aumentou e eu parti para os contos, depois para o meu primeiro livro solo “O enigma da noite sem fim”, pela editora Giostri, em 2017. Em 2023 lancei o segundo, “Fada Alfabeto e a bruxa Ortografia”, pela editora Cuore. E ainda em 2023 nasceu “O TEA de Chapeuzinho Vermelho e outros contos sobre transtornos neurológicos e psicológicos”, pela Andross Editora.

Como surgiu a ideia do livro “O TEA de Chapeuzinho Vermelho e outros contos sobre transtornos neurológicos e psicológicos”?
O livro “O TEA de Chapeuzinho Vermelho e outros contos sobre transtornos neurológicos e psicológicos” surgiu da ideia de unir duas paixões: a escrita e a psicopedagogia.
Eu queria, na verdade, levar às pessoas algo que despertasse nelas a vontade de buscar mais informações a respeito dos transtornos neurológicos e psicológicos presentes em familiares, amigos ou conhecidos e que são, muitas vezes, alvos de preconceitos. Minha vontade era produzir histórias prazerosas para que o leitor entendesse, de forma leve, alguns comportamentos presentes em pessoas com as quais convive.
E, para que fosse uma leitura leve, prazerosa e que atingisse o público de várias idades, resolvi contá-las conversando com o leitor e utilizando os personagens principais de alguns contos clássicos: Chapeuzinho Vermelho (TEA), Pinóquio (TDAH), A pequena Sereia (Mutismo Seletivo), Os três porquinhos (Altas Habilidades), Branca de Neve (Dislexia) e Cinderela (Discalculia).
Os contos surgiram de dificuldades reais que você tenha presenciado?
Exatamente. A psicopedagogia estuda e investiga as dificuldades de aprendizagens, tanto pedagógicas quanto relacionadas a algum transtorno neurológico, psicológico e síndromes. Muitas vezes a família não sabe lidar com isso, não aceita ou mesmo ignora alguns sintomas. E o que se vê é, muitas vezes, um diagnóstico tardio.
Isso é um problema. Mesmo no caso de um transtorno, que não tem cura e não é uma doença, apresenta resultados satisfatórios quando a intervenção acontece de forma precoce, melhorando muito a qualidade de vida da pessoa.
Como você vê que pais, responsáveis e a escola podem auxiliar na inclusão de crianças com transtornos neurológicos e psicológicos?
A inclusão é uma questão delicada porque envolve políticas públicas e muitos fatores diferentes envolvidos.
O que eu penso é que os pais, a escola e os professores, apesar de qualquer condição, devem proporcionar aos filhos e aos alunos, oportunidades de aprendizagem aproveitando o que eles dominam, ou seja, parar de focar no que os alunos não sabem e partir exatamente daquilo em que são bons.
Uma coisa importante a destacar é que a busca incessante por diagnóstico somente é bom para a família que, em alguns casos, tem algum benefício, mas para a escola não. Independente de laudo, se o aluno apresenta alguma dificuldade, é necessário um olhar diferenciado para as habilidades desse sujeito e intervenção precoce.
Algum dos contos lhe foi mais marcante?
“O TEA de Chapeuzinho Vermelho” foi o conto que eu tive um carinho especial, tanto que fiz questão que ele fosse o título do livro.
As pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), hoje, são alvos de muitas críticas, principalmente quando são diagnosticadas com grau 1, popularmente chamado de leve, mas que de leve não tem nada. O TEA de grau 1 é o mais difícil de se diagnosticar, por isso, esse diagnóstico acontece geralmente de forma tardia. Mas essas pessoas e seus familiares sofrem tanto quanto qualquer outro, de grau 2 ou 3, apenas são sofrimentos diferentes.

Qual a grande mensagem que você pretende passar com o livro?
Espero que os leitores busquem informações sobre o assunto ao invés de criticarem alguns comportamentos ou mesmo nomearem essas pessoas como esquisitas, preguiçosas, “burras”, entre outros nomes ainda mais pejorativos que já tive a infeliz oportunidade de presenciar. Que se conscientizem que essas pessoas e seus familiares estão sofrendo e precisam de ajuda por mais que às vezes não pareça.
Como podemos adquirir o livro? Quais os contatos em que podemos falar com você?
O livro pode ser adquirido via WhatsApp (19) 98128-6192, Instagram @circunstancia.literaria ou e-mail ataner_ri@yahoo.com.br
Envio pelo correio ou a combinar.
Tem algum novo projeto em vista que possa nos contar um pouco?
No próximo evento Livros em Pauta que ocorrerá em 18/05/24 é possível que seja lançado o segundo volume com essa temática, abordando outros transtornos e síndromes e, claro, outros personagens de contos clássicos. Logo, logo irá para o forninho, tomara que eu coloque a quantidade certa de fermento!
